
A Crise Hídrica e o Desmatamento
Produzido por Nicole Siqueira
Você deve ter percebido que nos últimos anos foram várias as notícias de seca e crise hídrica no sudeste e centro-oeste, regiões que normalmente não sofrem com a falta de água. De fato o volume de chuvas tem diminuído no Brasil. Segundo o governo federal, entre outubro de 2020 e maio de 2021 foi registrado o menor volume de chuvas para o período em 91 anos. Ao mesmo tempo, casos de enchentes e grandes alagamentos como os que ocorreram em Petrópolis e no Espírito Santo em 2022 vem causando tragédias como nunca visto antes.

As causas desses eventos de secas e enchentes incluem fatores naturais como o fenômeno climático El Niño e fatores antrópicos (causados pelo ser humano) que geram desequilíbrio na distribuição de chuvas como o desmatamento e as mudanças climáticas.
Para entendermos como o desmatamento afeta as chuvas em todo o país é importante compreender o papel das florestas, principalmente a floresta Amazônica, na regulação do ciclo da água no Brasil.
Nas florestas tropicais acontece um fenômeno chamado evapotranspiração que consiste na evaporação da água presente nos rios e solo somada a transpiração das árvores e plantas, desse modo, uma grande quantidade de umidade é lançada no ar em forma de vapor que é então levado pelos ventos para o centro-oeste, sudeste e sul do país e contribui para as chuvas nessas regiões. Esse fenômeno é chamado de rios voadores.


Quando a floresta é desmatada sua área é reduzida e com ela a quantidade de umidade jogada na atmosfera também diminui o que gera o desequilíbrio do ciclo de chuvas no Brasil causando secas e crises no abastecimento hídrico onde antes não era comum.
Para solucionar ou pelo menos amenizar o problema da crise hídrica no sudeste, sul e centro-oeste é preciso que se combata o desmatamento na Amazônia, que vem atingindo números recordes nos últimos anos, e se invista mais no reflorestamento e na conservação de nossas florestas tropicais.
Já as mudanças climáticas contribuem para que eventos extremos como fortes tempestades, secas e furacões, que normalmente eram raros, aconteçam com cada vez mais frequência. Para combater as mudanças climáticas são necessárias muitas ações, dentre elas que se diminua as emissões de gás carbônico na atmosfera e se invista na preservação das florestas.
Referências:
Artigo - A inseparável relação entre florestas e água na Amazônia. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/21383265/artigo----a-inseparavel-relacao-entre-florestas-e-agua-na-amazonia>. Acesso em: 25 fev. 2022.
LÚCIA MÜZELL. Enchentes na Bahia são claro alerta das mudanças climáticas no Brasil, diz cientista. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2021/12/29/enchentes-na-bahia-sao-claro-alerta-das-mudancas-climaticas-no-brasil-diz-cientista.htm>. Acesso em: 25 fev. 2022.
MARENGO, J. A.; ALVES, L. M. Crise Hídrica em São Paulo em 2014: Seca e Desmatamento. GEOUSP: Espaço e Tempo (Online), v. 19, n. 3, p. 485, 6 dez. 2015.
PACHECO, P. Como a devastação da Amazônia piora o clima no resto do Brasil. Disponível em: <https://www.aosfatos.org/noticias/como-devastacao-da-amazonia-piora-o-clima-no-resto-do-brasil/>. Acesso em: 25 fev. 2022.
Seca e crise hídrica têm relação direta com desmatamento na Amazônia. Disponível em: <https://revistagloborural.globo.com/Um-So-Planeta/noticia/2021/07/seca-e-crise-hidrica-tem-relacao-direta-com-desmatamento-na-amazonia.html>. Acesso em: 25 fev. 2022.